quinta-feira, 1 de outubro de 2009

CAPÍTULO SEIS

Carmem estacionou o carro, sentia dor em todo corpo, talvez fosse à tensão.

Não dirigia há muito tempo, mas nesse caso precisava ir sozinha não queria que o motorista soubesse o seu destino naquela manhã.

Parou em frente a uma casa de grades na fachada e uma vaga de garagem lateral. Olhou em volta antes mesmo de descer do veículo, em uma cidade pequena como Águas Claras, era muito comum encontrar pessoas conhecidas, se certificou que ninguém a observava e tocou a companhia.

Quando o portão se abriu, viu um homem moreno, magro de olhos pretos como duas jabuticabas. Não era um homem bonito, mas tinha um belo porte, aparentava ter em torno de uns 27 anos, em seu rosto era nítido os sinais de abatimento e cansaço.
_Como a senhora demorou! Achei que não viria.
Carmem respondeu já do lado de dentro da residência.
_ Não poderia deixar de atender um chamado seu. Como você está?
_ Cansado, assustado e sem esperanças. Respondeu em voz baixa.
_Estou preocupadíssima com essa situação. Sabe como as coisas progridem em uma cidade de interior. Avisei tanto vocês que isso ia acabar acontecendo! Por que não me escutaram?
_ Penso nisso a noite toda, mal consigo dormir, como ela está?
_ Em coma ainda, os médicos dizem que não é possível avaliar a situação, temos que esperar que ela responda a medicação.
_Estou desesperado! Não quero que ela parta.
_ Deviria ter pensado nisso antes de deixar as coisas ficarem nesse ponto! Também estou sofrendo com tudo isso, como acha que eu me sinto? Luana é como se fosse uma filha para mim!
_Sei disso. Ele respondeu.
_Agora preciso ir, só me desloquei até aqui para saber como você estava, os empregados vão acabar desconfiando dessas saídas sem motorista, ninguém pode saber que estive aqui. Vamos esperar Luana acordar e vê o que ela se lembra do dia daquele acidente horrível.
_ Minha maior vontade, preciso entender o que houve! Mantenha-me informado, não posso buscar noticias, não quero render mais fofocas.
_ Pode deixar, até logo e se cuide, está com olheiras enormes vai acabar adoecendo!

Carmem foi em direção ao carro, quando assentou precisou respirar fundo antes de dar a partida, a única coisa que vinha na cabeça dela era a cena de Luana naquela cama, ligada em todos aqueles aparelhos.

Porque ela não resolveu essa situação antes de acontecer o pior? Tinha aconselhado tanto. Toda vez que ela ligava ou enviava um e-mail contando todos os problemas e sofrimentos que estava passando, prometia que iria dar um basta naquela situação, mas nunca teve coragem o suficiente para dizer um não.

Certa vez Luana ligou de madrugada para Carmem aos soluços o pranto era tanto que ela mal conseguia entender o que estava acontecendo. Naquela noite ela jurou que era a última vez, não bastou uma semana para que começasse tudo de novo.

Um comentário:

  1. Muito mistério mesmo quando algumas coisas "óbvias" já foram reveladas, ou aparentemente reveladas como a continuação do "amor" do casal.

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